Aluno de iniciação do INCTMM ganha Menção Honrosa em semana do conhecimento de 2015

Nos dias 19 a 23 de outubro aconteceu na UFMG a Semana do Conhecimento 2015. Durante a semana foram expostos cerca de três mil trabalhos, 2,2 mil destes nas modalidade de Iniciação Científica e Iniciação Científica Junior. Na solenidade de encerramento que ocorreu no dia 23 de outubro, os melhores trabalhos receberam prêmios e menções honrosas.

O aluno do 8º período do curso de Medicina da UFMG e aluno de iniciação científica do INCT-MM Matheus Carvalho Alves Nogueira foi um dos premiados com a menção honrosa, após apresentar o trabalho de iniciação científica com o título “O papel do sensor neuronal de cálcio tipo 1 (NCS-1) na atividade ansiolítica da lamotrigina em camundongos.”

Saiba mais clicando no link.

Por Nathália Cristina Moreira Pereira

Aluna de Mestrado do INCT de Medicina Molecular

Alunos de iniciação científica do INCT de Medicina Molecular vencem em primeiro lugar a XII Jornada de Saúde Mental

JASME 2015 - Seleção Didática (FB)

A reportagem de hoje vem parabenizar os alunos Kevin Augusto Farias de Alvarenga e Matheus Carvalho Alves Nogueira, alunos do 8º período de Medicina da UFMG e da Iniciação Científica do INCT de Medicina Molecular, que foram os vencedores do 1º lugar na apresentação de pôsteres da XII Jornada de Saúde Mental (JASME), realizada entre os dias 15 e 17 de setembro, com o pôster “Metilfenidato: uma visão pragmática”.

Os alunos são integrantes do grupo de pesquisa do INCT de Medicina Molecular há quase dois anos e têm se destacado em suas linhas de pesquisa.

O INCT de Medicina Molecular parabeniza os seus alunos pela premiação.

 

Por Nathália Cristina Moreira Pereira

Aluna de mestrado do INCT de Medicina Molecular

Imagem do INCTMM: “Neurônios dopaminérgicos no mar de Astrócitos”

TH-GFAP Substantia nigra

A imagem do INCTMM deste mês foi obtida através de uma técnica chamada de microscopia confocal de fluorescência. Para realizar a técnica, os pesquisadores obtiveram uma pequena estrutura do mesencéfalo cerebral chamada de substância negra usando uma substância conservadora. Em seguida, eles utilizaram anticorpos conjugados com diferentes fluorescências para marcar a enzima tirosina hidroxilase de neurônios dopaminérgicos ou a proteína glial fibrilar ácida (GFAP), de astrócitos. Na imagem, observa-se alguns neurônios que produzem o neurotransmissor dopamina (em verde) rodeados por muitas células da glia conhecidas como astrócitos (em vermelho). A imagem foi registrada pelos pesquisadores Alexandre Magno e Hèlia Tenza e batizada como “Neurônios dopaminérgicos no mar de Astrócitos”.

Que tal entendermos um pouco mais sobre o TDAH?

tdah

Que tal entendermos um pouco mais sobre o TDAH? Informação, atenção, carinho, diálogo e muita paciência são alguns dos ingredientes que vamos precisar para promover o melhor desenvolvimento das pessoas com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Estas cartilhas apresentam, de uma forma brilhante, como podemos lidar com o TDAH. Não Perca!!! Clique nos links abaixo e tenha acesso as nossas cartilhas!! #projetonitida

CLIQUE AQUI ==> CARTILHA TDAH PROFESSORES

CLIQUE AQUI ==> CARTILHA TDAH PAIS

 

Patrícia de Araújo Pereira

Pós Doutora do INCT de Medicina Molecular

INCT-MM abre seleção para bolsista de Apoio Técnico (BAT-II / FAPEMIG)

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O INCT-MM selecionará profissional para ocupar a função de técnico de laboratório para auxiliar no manejo de modelos animais de pesquisa. A bolsa a ser cedida será da modalidade Apoio Técnico – BAT-II / FAPEMIG.

 

Perfil acadêmico desejado
Graduação: Biomedicina, Farmácia, Biologia ou áreas afins.

Requisitos do candidato
Possuir experiência e domínio em atividades indispensáveis ao apoio técnico a projetos de pesquisa científica e/ou tecnológica.
Não acumular bolsa nem ter vínculo empregatício de qualquer natureza.
Não estar matriculado em curso de graduação (a exceção de curso de graduação noturno) ou de pós-graduação.
Ter, no mínimo, o curso de graduação completo.

Características desejáveis
Experiência em laboratório.

Atividades previstas para o bolsista
Executar o manejo e a procriação programada das colônias de camundongos modificados geneticamente e a manutenção das condições de criação de zebrafish.

Valor da bolsa
R$ 1.072,89

Duração da bolsa
12 meses (prorrogável por igual período)

Critérios para seleção
Entrevista e análise do CV Lattes

Período de inscrições
23/09 a 13/10/2015

Instruções para a realização das inscrições
Enviar e-mail com a descrição Bolsa BATII/FAPEMIG no campo de assunto para inctmedicinamolecular@gmail.com
Informar nome, telefone para contato e endereço do CV Lattes no campo de texto.

Documentário francês presenteia-nos com uma aula de cidadania!!

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Este documentário francês presenteia-nos com uma aula de cidadania!! O documentário apresenta estudos realizados em busca de conhecimento acerca do universo do espectro autista. O filme traz o desenvolvimento nos tratamentos realizados ao longo do tempo, além de incluir depoimentos de pacientes e familiares. É um verdadeiro ensinamento sobre o assunto! Mostra-nos o quanto precisamos das pesquisas para entendermos melhor sobre as necessidades e deficiências de cada indivíduo. Confira!! #espectroautista

 

Por:

Patrícia de Araújo Pereira

Aluna de Pós Doutorado de Medicina Molecular

O DNA como carteira de identidade biológica

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Exames de DNA podem indicar o risco para o desenvolvimento de algumas doenças.

Podemos dizer que o DNA é como se fosse a nossa carteira de identidade biológica. Nele estão contidas as informações (nos genes) herdadas dos nossos pais e que farão de cada um de nós indivíduos únicos. Características como a cor do seu cabelo, dos olhos e da pele já estão pré-determinadas antes mesmo do seu nascimento. Claro que existem as influências ambientais (uma pessoa pode ter predisposição para ser gordinha, mas se praticar exercícios físicos regularmente e seguir uma alimentação balanceada provavelmente não ficará acima do peso), no entanto, de maneira geral, há uma grande influência genética sobre nós.

Os testes genéticos ganharam bastante destaque em 2013, com a notícia de que a atriz Angelina Jolie havia retirado as mamas de forma preventiva após um exame mostrar um risco de 87% de desenvolvimento de tumor maligno (foram encontradas mutações no gene BRCA1 da atriz). Além dos cânceres, outras doenças não muito conhecidas também podem ser detectadas a partir de testes de genotipagem, como a doença de Huntington e o Mal de Alzheimer, por exemplo.

Mais comum em pessoas acima de 65 anos, o Alzheimer é uma doença neurodegenerativa caracterizada por demência progressiva, declínio de memória e de aprendizado. Existem basicamente dois tipos da doença: a esporádica ou de início tardio (mais comum) e a familiar ou de início precoce (em torno de 40 a 50 anos). Para os apreciadores de cinema, ano passado foi lançado o filme Para Sempre Alice (Still Alice), no qual a personagem principal sofre com a doença de Alzheimer herdada de seu pai (familiar) e, portanto, apresenta progressão rápida de perda de memória devido a uma mutação no gene da proteína precursora amiloide. Assim como no filme, nos laboratórios de genética existem testes de DNA para identificação do risco de os filhos de uma pessoa afetada (como Alice) manifestarem a doença. Apesar da identificação precoce, atualmente não existe um tratamento disponível para o mal de Alzheimer, apenas maneiras de se retardar a evolução da doença.

Assim, termino este texto com um alerta: conhecer o risco de desenvolvimento de uma doença nem sempre é visto de maneira positiva, principalmente nos casos em que não há tratamento disponível. Portanto, não fique estressado querendo fazer todos os exames disponíveis no seu DNA, isso pode acabar acelerando o encurtamento dos seus telômeros! (Saiba mais sobre a dinâmica dos telômeros e seu encurtamento clicando aqui).

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Por:

Cinthia Vila Nova Santana

Aluna de Doutorado no INCT de Medicina Molecular

Doença do gato X saúde do bebê

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A toxoplasmose, conhecida como doença do gato, pode causar cegueira, surdez e comprometimento neurológicos graves para a saúde do bebê.

Transmitida pelo toxoplasma gondii, protozoário que vive no intestino de gatos e é o responsável pela toxoplasmose, a doença pode ser contraída pelo contato com fezes de gatos e ingestão de carne crua ou mal cozida. Como é comum gatos conviverem diretamente com o ser humano, é relativamente fácil o contato com superfícies contaminadas pelas fezes de gatos. Em adultos, a toxoplasmose normalmente se apresenta assintomática ou associada com sintomas limitados como febre, mal estar e linfadenopatia. Entretanto, em mulheres grávidas, a toxoplasmose pode causar sérios problemas de saúde quando na sua forma congênita, ou seja, quando o parasita é transmitido para o feto.

As manifestações clínicas da toxoplasmose congênita em geral, caracterizam-se por sequelas neurológicas decorrentes, infecções oftalmológicas e do sistema nervoso central, responsáveis pela maior morbidade. Estudos recentes demonstram que a toxoplasmose congênita é um indicador de risco para surdez.

Num estudo realizado em Belo Horizonte entre 2003 e 2004, 20 recém-nascidos foram identificados com toxoplasmose pelo programa de Triagem Neonatal. Destas, 4 crianças apresentavam déficit auditivo, e 3 delas não apresentavam nenhum outro motivo, exceto a toxoplasmose, que justificasse o déficit apresentado. Posteriormente este estudo foi ampliado para todo o estado de Minas Gerais, onde 43,4% das crianças com toxoplasmose congênita apresentaram algum tipo de déficit auditivo.

O sistema auditivo periférico, a parte externa do ouvido, apresenta-se totalmente formado ao nascimento, enquanto o sistema auditivo central (que é a parte interna do ouvido) irá se desenvolver até os dois anos de idade. Este período corresponde ao de maior modelação dos neurônios responsáveis pela via auditiva, e o amadurecimento depende da quantidade e da qualidade de sons que o bebê ouve. A identificação da perda auditiva é essencial para que a criança possa desenvolver a fala e outras funções cognitivas durante a idade escolar.

O tratamento de recém-nascidos infectados ou suspeitos de infecção pelo T. gondii pode minimizar as repercussões cerebrais, auditivas e visuais e melhorar o prognóstico da infecção congênita, devendo ser iniciado precocemente e prolongar-se até no mínimo um ano de idade.

Os cuidados para evitar toxoplasmose na gravidez, são os seguintes:

  • Cozinhar bem a carne e lavar cuidadosamente as mãos depois de preparar;
  • Lavar muito bem os legumes e as frutas antes de comer;
  • Guardar os alimentos crus separados dos alimentos cozidos para evitar a contaminação;
  • Usar tábuas e facas diferentes para a carne crua e, depois, lave-as com água e sabão;
  • Descascar as cenouras e cortar o topo para remover os vestígios de terra;
  • Lavar bem as mãos depois de ter tocado na caixa de areia do gato;
  • Evitar contato com gatos abandonados;
  • Se tiver gatos em casa, leve-os sempre ao veterinário para limpeza geral;
  • Evitar contato com as fezes dos gatos e se tiver que limpá-las, usar luvas. No final de tudo, lavar bem as mãos e as luvas;
  • Se mexer em terra, usar luvas para se proteger da terra contaminada;
  • Ter o cuidado de descongelar os alimentos. No micro-ondas, vire-os várias vezes para que descongelem totalmente.

No entanto, mesmo seguindo estas dicas, a mulher deve realizar um exame de sangue para verificar a presença de toxoplasmose e iniciar o tratamento adequado caso ocorra a infecção.

Por:

Monique Ellen Gervásio Nunes

Aluna do INCT de Medicina Molecular

 

REFERÊNCIAS:

Andrade de GMQ, de Resende LM, Goulart EMA, Siqueira AL, Vitor RWA, Januario JN, Deficiência auditiva na toxoplasmose congênita detectada pela triagem neonatal. Rev Bras Otorrinolaringol. 2008;74(1):21-8.

Jeffrey Jones MD, MPH, Adriana Lopez MHS, Marianna Wilson MS. Congenital Toxoplasmosis. American Family Physician; may 15, 2003 / volume67, number 10, p.2131- 2138.

Resende LM, de Andrade GMQ, de Azevedo MF, Perissinoto J, Vieira ABC. Congenital Toxoplasmosis Brazilian Group of the Universidade Federal de 96 Minas Gerais (CTBG-UFMG).

De mãe para filhos; estresse em ratas grávidas e mudanças no comportamento e neurobiologia da prole.

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Uma situação de risco durante a gestação pode resultar em alterações biológicas e emocionais não apenas para as fêmeas em exposição, mas também para a sua prole. E mais, podem perdurar até a fase adulta.

Sons na frequência de 22 kHz são conhecidos por serem emitidos por ratos em diversas situações aversivas. Eles têm sido simulados em laboratório e utilizados para aumentar o ”nível de estresse” desses animais.

Estudos realizados na UFMG com ratas Wistar grávidas, mostraram que se elas forem submetidas uma hora por dia a sons nessa frequência, o estado de ansiedade das fêmeas e da prole será alterado. Além disso, observaram-se mudanças no sistema serotoninérgico dos animais. A serotonina é um neurotransmissor responsável, entre outras coisas, pela regulação do estado de ansiedade em muitos seres vivos.

As ratas grávidas expostas aos sons de 22 kHz revelaram diminuição no estado de ansiedade quando avaliadas 30 dias após a exposição. A exposição intrauterina a esse som em si, não afetou diretamente o comportamento da prole. Porém, quando os filhotes já adultos são expostos ao som de 22 kHz, apenas aqueles que foram expostos primeiramente durante o período intrauterino têm diminuição do estado de ansiedade. Por outro lado, o estado de ansiedade daqueles que foram expostos pela primeira vez na idade adulta aumentou.

Ratos só escutam após os 14 dias de vida, o que levanta a hipótese é de que as mudanças no comportamento e na biologia da fêmea afetaram o comportamento e a neurobiologia da prole.

Por:

Patrícia da Silva Oliveira

Pós Doutoranda do INCTMM

REFERÊNCIA

da Silva Oliveira, P. , Daniel, A. , Nunes, P. , Costa, K. , Yehia, H. and Ribeiro, A. (2015) Intrauterine Exposure to Chronic 22 kHz Sound Affects Inhibitory Avoidance and Serotonergic Parameters in Forebrain Areas of Dams and Rat Offspring. Journal of Behavioral and Brain Science5, 25-39. doi: 10.4236/jbbs.2015.52003.

Modelos animais: contribuindo para os avanços da Ciência

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Você provavelmente já viu, seja num filme, num desenho animado ou na TV, aqueles ratinhos brancos de laboratório sendo utilizados em experimentos científicos. Mas, além de tentar conquistar o mundo todas as noites, como faziam Pinky e Cérebro, você sabe qual é o papel dos animais na pesquisa científica?

Suponhamos que você queira descobrir se um determinado medicamento pode ser usado para tratar a ansiedade em seres humanos. Ao invés de testar isso logo de cara em pessoas, você pode testá-lo, por exemplo, em camundongos, tudo isto regulamentado e aprovado pelo comitê de ética do local onde determinada pesquisa será executada, claro! Para isso, existem vários modelos animais e para melhor ilustrarmos o uso de camundongos em experimentos científicos irei descrever brevemente uma metodologia comumente utilizada e seus resultados esperados. No teste labirinto em cruz elevado o camundongo é colocado numa plataforma em forma de cruz que fica elevada a cerca de 1 metro do chão. Nessa plataforma, dois de seus braços são fechados (ou seja, são cercados por uma espécie de parede), enquanto os outros dois braços são abertos, como mostra a figura abaixo.

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Este é o chamado “labirinto em cruz elevada”.

Os camundongos tendem a passar mais tempo nos braços fechados, que são mais escuros e protegidos, do que nos braços abertos, de onde eles poderiam ver o chão e se sentiriam mais ameaçados. No entanto, medicamentos que tratam a ansiedade (os chamados ansiolíticos, como o diazepam) fazem com que os camundongos tratados fiquem menos receosos e, consequentemente, passem mais tempo nos braços abertos que os animais que não receberam o medicamento.

Assim, comparando uma mesma variável (nesse caso, o tempo gasto nos braços abertos) entre os animais tratados com o medicamento com animais não tratados, é possível descobrir se houve o chamado efeito ansiolítico-like, ou seja, se o fármaco usado tem um efeito nos animais (aumentar o tempo gasto nos braços abertos) que, por sua vez, possui um equivalente clínico em seres humanos (tratar a ansiedade).

Portanto, ao possibilitar o estudo abrangente de diversos fenômenos que têm um correspondente em humanos, os modelos animais levam a avanços científicos únicos e inquestionáveis.

Por:

Matheus Carvalho Alves Nogueira

Estudante do 8º período de Medicina da UFMG e aluno de Iniciação Científica do INCTMM

REFERÊNCIA:

KOOB, G. F.; ZIMMER, A. Animal models of psychiatric disorders. In: T.E Schlaepfer and C.B. Nemeroff, Editors. Handbook of Clinical Neurology: Neurobiology of Psychiatric Disorders, Vol. 106 (3rd series). Elsevier, 2012. p. 137-166